Uma iniciativa desenvolvida pela prefeitura de Bertioga, no litoral norte de São Paulo, proporciona uma oportunidade única a portadores de deficiência visual: a do prazer de velejar. E não pense você que se trata apenas de subir em um barquinho só para sentir a brisa na face. A experiência vai muito além disso. Os participantes pilotam de verdade as embarcações.

Mas como é possível tornar a vela, um esporte altamente visual, acessível a deficientes visuais? Segundo o diretor de Acessibilidade e Inclusão de Bertioga, José Augusto Coelho Filho, explica que o deficiente visual se destaca por sua orientação espacial, memória localizada, senso de equilíbrio, acuidade dos outros sistemas sensoriais e pela capacidade de construção de mapas mentais. Além disso, o diretor lembra que o vento é o combustível do barco a vela: “Ninguém vê o vento e o deficiente visual tem muito mais acuidade tátil com as orelhas, nariz e rosto, por isso ele consegue velejar”.

Assim, antes de embarcarem, os deficientes visuais fazem uma leitura tátil do veleiro para identificar suas partes. Já na embarcação, um deficiente visual fica no leme, outros dois nas velas. “Todos terão função dentro do veleiro”, avisa o diretor. Imortante frisar que todas as atividades são acompanhadas por um técnico não deficiente, que dá as devidas orientações aos participantes.

O veleiro utilizado é um O’Day 12 com 2 velas (a principal, maior chamada de mestra; e a da frente menor, chamada de buja). Este pequeno veleiro é simples de ser lançado na água e de ser recolhido.

A ideia deste projeto é tornar de forma replicável, metodizada para outros profissionais náuticos, o ensino do velejo ativo para deficientes visuais e posteriormente a competição. Isto para ser aplicado em Bertioga e em outras cidades de água doce ou mar. O projeto mostra claramente que a deficiência não é um limite, depende da vontade política e de pessoas capazes e dispostas a construir a sociedade acessível a todos, melhor para todos.

Os interessados em participar do Verlejando devem entrar em contato pelo telefone (013) 3317-4239 ou pelo e-mail [email protected].

Fonte: Mercado Ético

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