Cadeirante presa por pedregulhos. Pedrinhas criam uma barreira enorme para a mobilidade.

por | 3 out, 2019 | Acessibilidade | 0 Comentários

A Rua Fernando Machado de Souza, no Bairro Guarujá, não tem buracos e nem desníveis, pois foi coberta com pedras grossas pela prefeitura. Isso para grande parte dos moradores é um fator positivo, mas para quem se locomove por meio de uma cadeira de rodas é um grande problema. As pedras afiadas e grossas, fazem com que a cadeira de rodas motorizada, que Deise Inácio utiliza, patine, empaque e segundo ela, em casos extremos, queime a bateria. 

A falta de acessibilidade já faz parte da sua rotina em outras áreas da cidade, mas para sair de casa ela diz que enfrenta a situação faz uns dois anos. Em suas redes sociais, denuncia os obstáculos para se deslocar, por meio de um projeto que chama: “Lages, acessibilidade já!”.

Com os olhos cheios de lágrimas, a bailarina e ex-paratleta lamenta a dificuldade que enfrenta para sair de casa. Mora sozinha com seus cachorrinhos e conta que muitas vezes, os vizinhos precisam ajudá-la para chegar até o ponto de ônibus. 

Na terça-feira, a prefeitura foi arrumar mais pedras na rua e ela ficou na frente da máquina impedindo sua progressão. “Eu pedi para o secretário vir falar comigo, porque eles sabem da minha situação. Mas, chamaram a polícia. Entramos num acordo. Eles se comprometeram a não jogar pedra no lado da rua que eu passo. Mas, isso não adianta, porque elas se espalham com o tempo. Diminui até minhas saídas de casa”.

Deise conta que o ideal seria a rua ser asfaltada ou não ter tantas pedras, pois há um tempo ela não tinha tanta dificuldade para circular. “As cadeiras de roda elétricas não são feitas para usar em ruas com pedras grandes. Eu ganhei essa cadeira, tenho a manual também”. Indignada com a situação, ela pede para que o prefeito Antonio Ceron e o secretário de Planejamento e Obras, João Alberto, sentem na cadeira e tentem passar pela rua.

Outro problema que ela alega é sobre o limite do seu lote. Apesar de não ser inteiro cercado, porque ela não teve dinheiro suficiente para fazer isso, o terreno vai até o final da rua. Porém, uma máquina da Secretaria de Obras entrou na área do lote e abriu uma rua para dar acesso a outra. “Tenho escritura e já fui no Seplan conversar com eles, que vieram aqui e arrumaram estaca até onde ia o terreno. Provaram que a escritura estava certa. Mas, mesmo assim, continuam jogando pedra e alargando a rua”.

Prefeitura alega que onde rua foi aberta é área verde

Através da assessoria de imprensa, a secretaria informou que depois de uma conversa com Deise e outros moradores da rua, ficou acertado que não se colocaria pedra em um lado da via. O objetivo da ação é melhorar a acessibilidade de Deise, já que em outras ruas da cidade, através do programa Comunidade Melhor, as vias são cascalhadas e patroladas por completo. 

Em relação ao terreno, foi informado que no cadastro da Secretaria de Planejamento e Obras consta o registro de apenas um lote, em nome de Deise. A outra parte que foi aberta para passar uma rua, é área verde.

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