Calçada inclinada na vaga reservada. Não adianta somente reservar, é preciso bem adequar.

por | 28 nov, 2019 | Acessibilidade | 0 Comentários

As leis e normas de acessibilidade cada vez mais exigentes, ajudam bastante as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Mesmo assim, as regras criadas escondem falhas que geralmente, somente um usuário consegue reconhecer. 

O lema criado pela Organização das Nações Unidas, “Nada Sobre Nós Sem Nós”, faz muito sentido. Quer dizer que, toda idéia ou iniciativa voltada para a pessoa com deficiência, deve ter a participação das pessoas com deficiência. Isso ajuda bastante, mas não é a solução total, pois dependendo da pessoa com deficiência, ela pode ter uma compreensão somente para as dificuldades particulares à ela.

Para ter uma orientação mais acertiva, o melhor é recorrer à consultorias especializadas, que fazem um amplo planejamento para atender à todos através das melhores soluções. Esta é a proposta que Ricardo Shimosakai aplica em seus projetos, baseados em anos de experiência prática.

A calçada inclinada na vaga reservada é mais uma das inúmeras situações percebida por Ricardo, onde alguns itens colocados sem uma percepção experiente, acabaram dificultando o estacionamento para uma pessoa com deficiência.

No vídeo é apresentado uma vaga reservada em uma via pública. A primeira observação é a sinalização vertical, o poste com a sinalização do estacionamento. Neste caso não está interferindo, mas serve como referência, pois em alguns lugares, já vi o poste atrapalhando a abertura da porta.

A melhor posição para esta sinalização é no início da vaga, bem na ponta da parte dianteira onde começa a área da sinalização horizontal, aquela pintada no chão. Assim não há perigo de atrapalhar a abertura da porta, independente do modelo do carro.

Evitar também qualquer objeto nesta área, pois já encontrei árvores, lixeiras, postes, canteiros que atrapalhavam de alguma forma. Neste vídeo dá para perceber que o canteiro da árvore não atrapalha a transferência na porta do motorista, mas atrapalha quando eu tenho que pegar minha mochila, que deixo no banco de trás do motorista. Para abrir a porta traseira, o ideal seria me posicionar antes da área de abertura, mas justamente neste local está o canteiro da árvore.

Agora o problema que leva o título do vídeo, é a inclinação transversal da calçada, que é a inclinação do sentido dos imóveis para a rua. Se essa inclinação for exagerada, irá impedir ou limitar a abertura da porta. Pessoas usuárias de cadeira de rodas, precisam de uma abertura grande da porta, para que a cadeira de rodas se aproxime do carro e facilite a transferência. Eu mesmo já deixei de comprar carros, porque tinha uma abertura pequena das portas.

O problema também pode estar na rua, pois várias delas também possuem uma inclinação, onde a parte do meio da rua mais alta e nas laterais, justamente onde se encontram com a calçada, mais baixos, ficando a rua num formato abaulado, convexo. Então quando se estaciona o carro junto à guia, ele também já estará inclinado. Por isso é importante observar o conjunto da calçada com a via pública, mesmo que a inclinação individual de cada uma não seja forte, na junção das duas o problema pode aparecer.

Ainda há outro fator que é o modelo do carro. Carros grandes e altos, geralmente não passam por esse tipo de problema. Mas esse tipo de modelo também não é a preferência de pessoas com deficiência, pois para entrar no carro, principalmente para cadeirantes fazerem a transferência, fica muito mais difícil. É preciso ver a média da altura dos carros de passeio. Observar essa altura com no mínimo o motorista dentro do carro, pois acaba deixando o carro um pouco mais baixo por causa do peso do motorista.

Finalmente, mais uma observação. Às vezes a inclinação pode ter sido adquirida, ou seja, na instalação estava tudo correto, porém depois alguns fatores, como raízes de árvores ou a movimentação do solo, podem ter provocado essa inclinação na calçada.

Em relação às árvores, é uma falha plantar uma espécie que possui grandes raízes, e se sabe que futuramente irá gerar problemas na calçada. O solo abaixo do pavimento da calçada também deve ser adequado para que não haja movimentações. As calçadas feitas com pequenos blocos, como é o caso do vídeo, estão mais sujeitas a deslocamentos, o que na verdade acontece em muitos casos. Por isso, uma manutenção constante também deve ser feita.

Na maioria das vezes, quando estaciono o carro na rua, dou preferência para estacionar com a calçada do lado direito do carro. Assim o lado esquerdo, que é o do motorista, fica voltado para a rua, sem sofrer qualquer interferência da calçada na hora de eu fazer a transferência para a cadeira de rodas, seja da inclinação, postes ou outros dificultadores.

Além disso, no lado da rua, a cadeira de rodas fica no mesmo nível do piso do carro, enquanto no lado da calçada, ela acaba elevando o nível do piso, fazendo com que a cadeira fique mais alta e dificultando a transferência. Mas é claro que isso acontece quando tenho oportunidade de escolha, o que não acontece sempre. E já passei por situações onde tive que desistir de estacionar em uma vaga reservada por causa da inclinação da calçada. Não adianta somente reservar, é preciso bem adequar.

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