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Conheça a bolsa de colostomia de Bolsonaro

por | 23 out, 2018 | Inclusão |

Conheça a bolsa de colostomia de Bolsonaro. Quando há a retirada de parte do intestino, seja devido a uma lesão por arma de fogo, material cortante — como foi no caso do candidato à presidência pelo PSL Jair Bolsonaro — ou seja por tumores na região, uma das técnicas disponíveis aos especialistas é o uso de uma bolsa de colostomia.

O intestino é o órgão responsável, dentre outras funções, pela evacuação dos dejetos e, caso exista um impedimento, a bolsa de colostomia permite que essa função não se perca, ainda que aconteça de forma diferente. Para isso, os especialistas redirecionam a parte anterior à lesão no intestino e a acoplam à parede abdominal, por onde é feita uma ligação com o exterior através do uso da bolsa.

Isso permite que os dejetos saiam do corpo, e fiquem acumulados na bolsa, podendo ser eliminados pelo próprio paciente. Ao mesmo tempo, o intestino que teve a parte suturada (costurada) ganha tempo para se recuperar, até estar pronto para a reconexão e voltar a funcionar normalmente.

As bolsas de colostomia podem ser tanto temporárias, como acontece na maior parte dos casos, quanto definitivas, dependendo do local da lesão no intestino. Geralmente, conforme explica Glauco Morgenstern, especialista em cirurgia do aparelho digestivo e cirurgião bariátrico, quando a lesão está localizada na parte final do intestino, a reconstrução do órgão é mais difícil, fazendo com que o uso da bolsa seja definitivo.

“No caso do Bolsonaro, o local do intestino da colostomia é relativamente fácil para reconstruir. É uma cirurgia de grande porte, mas não tão difícil e o pedaço que foi retirado é pequeno. Agora ele deve se recuperar, sair do hospital, e ter uma boa cicatrização. Em dois, três meses, estando bem, é refeita a cirurgia para essa reconstrução do trânsito intestinal”, explica o médico, que faz parte da equipe do Centro VITA de Tratamento da Obesidade e Diabetes, no VITA Curitiba.

Quando o uso da bolsa de colostomia é temporário, o paciente tende a ficar entre dois a quatro meses, em média, com o dispositivo.

“Nem sempre a bolsa de colostomia é a melhor solução, de acordo com Glauco Morgenstern, médico cirurgião do aparelho digestivo, e se o médico tem mais oportunidades, pode optar por outras técnicas.

“O que pode ser feito, mas isso varia conforme a conduta e a situação do paciente, é juntar o intestino na hora, e não usar a bolsa. Quando você tem uma cirurgia eletiva, não de emergência, é possível programar melhor se usa ou não a bolsa. Quando é emergência, como foi o caso do Bolsonaro, não há muita opção”, explica o especialista.

O impacto na qualidade de vida do paciente varia conforme o tempo que será necessário fazer uso da bolsa, de acordo com Luiz Fernando Kubrusly, médico cardiologista e cirurgião cardíaco. No caso de usos temporários, é mais fácil aceitar a mudança na rotina e adequar os cuidados.

“Em uma situação de uso definitivo, tem que ter o apoio emocional. O movimento do intestino, o peristaltismo intestinal continua, então o intestino funciona da mesma forma. Nós temos o uso do esfíncter anal, que permite o controle, e na colostomia isso não existe. É um movimento contínuo.

Embora as bolsas sejam bem modernas hoje, ainda assim podem fazer barulho e exalar cheiro”, explica Kubrusly. Embora possa haver constrangimento, de forma técnica a bolsa não impede que a pessoa viaje e siga com a vida normal. Nem mesmo a alimentação muda, segundo Guilherme Pesce, gestor do serviço de cirurgia geral e do aparelho digestivo do hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre (RS).

“No intestino grosso, como não há absorção de nutrientes, apenas um pouco de absorção de água, a questão alimentar não muda muito. Quando é feita uma ostomia nas partes mais altas, no intestino delgado, onde há absorção, aí sim precisa uma dieta especial, porque a área que faz a absorção foi reduzida”, reforça o especialista.”

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