Espasmo ou contração muscular involuntária. Você conhece?

por | 3 maio, 2019 | Inclusão | 0 Comentários

Espasmo é a contração muscular involuntária, súbita, anormal e geralmente acompanhado de uma dor localizada e enrijecimento prolongado do músculo (espasmo tônico) ou uma série de contrações muscular involuntárias alternando com relaxamento (espasmo clônico).

O espasmo não faz mal à saúde diretamente, mas é bastante incômodo, esteticamente estranho e pode causar acidentes. Na época que eu (Ricardo Shimosakai) estava fazendo minha reabilitação, procurei meios para parar ou pelo menos amenizar isso.

Cheguei a tomar remédios que prometiam inibir essas reações, que seriam tomados diariamente, mas para mim pouco adiantaram. Outro tipo de tratamento que também experimentei, foi a aplicação de botox (toxina botilínica).

O botox age bloqueando um neurotransmissor relacionado à contração muscular chamado acetilcolina. O produto é injetado diretamente no músculo-alvo do tratamento. Com isso, promove o relaxamento das fibras musculares, com consequente minimização das contrações involuntárias ou rigidez excessiva. Mas o efeito é temporário, durando entre três e seis meses, devendo ser aplicado novamente. Novamente, não achei que o resultado dessa opção valesse a pena o custo e o trabalho.

Conversando com profissionais da saúde, me disseram que as contrações na verdade eram uma coisa boa. Primeiro porque mostravam que minha perna estava “viva”, e depois este movimento, mesmo que esporadicamente, fazia bem aos músculos para se movimentarem.

Ao longo da minha vivência como lesado medular, descobri outros benefícios dos espasmos. Ele serve como um alerta, quando algo em seu corpo não está certo. Por exemplo, se eu sentar em alguma parte que está machucando, sem eu sentir, pois não tenho sensibilidade suficiente, a perna começa a produzir os espasmos com mais força e frequência. Eu também tenho espasmos no abdômen, quando a bexiga está muito cheia. Pessoas com tetraplegia também costumam ter espasmos nos braços.

Certa vez, os espasmos estavam me “atacando”, e passei a procurar o que poderia ser. Olhei a cadeira de rodas, minha roupa, e não encontrava nada que podia estar me machucando. Somente depois vi que o problema não era externo, e sim em mim mesmo. Uma unha do pé estava encravando, e isso estava machucando demais, formando até pus, e por isso os fortes espasmos.

Resolvi então aceitar essa condição e conviver com ela, melhor do que tomar remédios ou fazer tratamentos, além dos benefícios já mencionados. É claro que também tem a parte ruim. É muito estranho ficar se tremendo na frente dos outros, mas isso é somente uma questão de aparência, mesmo que não seja legal.

A partir do momento em que, por exemplo, a perna começa a tremer e fica batendo sem parar no apoio de pés da cadeira de rodas, isso começa a incomodar, pois faz barulho e isso não é bastante inconveniente numa reunião ou sala de teatro, onde é preciso silêncio.

Mas o pior mesmo é quando os espasmos podem desiquilibrar e provocar um acidente. Podem ser fracos e espaçados, e depois ir aumentando a frequência e força, até dar fortes contrações como se fosse uma convulsão. Quando eles começam, se eu fizer uma pressão em cima das pernas, consigo inibir a reação temporariamente.

Já tive um episódio perigoso, quando estava dirigindo e minha perna esticou, jogando o pé em cima do acelerador. Ainda bem o carro da frente estava com uma distância suficiente para eu ter uma reação e conseguir frear com força. Na verdade, nem estava entendendo, pensei que era uma pane do carro. Depois disso, aprendi a me posicionar melhor no carro para evitar, e também como reagir caso acontecesse novamente.

Certa vez, uma amiga contou um episódio inusitado. Ela é cadeirante, e sua netinha se aproximou engatinhando dela. Foi então que o espasmo veio de repente e ela acabou chutando a criança. Não foi nada tão forte, mas a bebê ficou um pouco assustada!

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