Roteiro turístico inclusivo para surdos. Bosque da Ciência oferece aplicativo em Libras.

por | 30 maio, 2019 | Viagens e locais acessíveis | 2 Comentários

Um roteiro inclusivo com foco na acessibilidade para visitantes surdos foi lançado no Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em Manaus. O bosque apresenta aos visitantes a fauna e flora da Amazônia, sendo um dos pontos turísticos mais visitados na capital amazonense. A visitação turística para surdos teve o suporte de celulares com base no sistema de inteligência artificial “Giulia – Mãos que Falam”, instrumento de tecnologia assistiva que utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Pioneiro no Amazonas, o aplicativo tornará a visita aos atrativos turísticos do bosque autoguiada e já está disponível para download na Google Play Store (celulares com sistema Android). Mediante a retirada de um crachá na portaria do bosque, o visitante poderá acessar as informações dos atrativos em Libras, por meio da leitura de QRCodes.

Segundo a pesquisadora e professora da UEA, Dra. Selma Batista, o objetivo do APP é romper as barreiras e dar acessibilidade aos espaços públicos de turismo e lazer, garantindo a participação plena e efetiva da pessoa surda em condições de igualdade na sociedade. A iniciativa do Roteiro é do curso de Turismo da UEA, por meio da pesquisa realizada pelo aluno Thiago Souza, sob orientação da professora, em parceria com a equipe de desenvolvimento da startup Map Innovation, Inpa e Samsung Ocean, com o empréstimo dos celulares que serão utilizados pelas pessoas surdas na visitação. 

Para o coordenador do Bosque da Ciência, Alexandre Buzaglo, o aplicativo vem somar com outras iniciativas de renovação e atendimento a públicos distintos. Atualmente, para pessoas com deficiência o espaço conta com uma trilha pavimentada que dá acessibilidade ao cadeirante para conhecer mais o bosque. A trilha vai da lanchonete até o viveiro do poraquê. “Essa parceria com a UEA nos permitirá ser o primeiro ponto turístico do Amazonas a atender a comunidade de surdos”, comemora Buzaglo.

Para o diretor de turismo da Manauscult, João Araújo, o desenvolvimento de parcerias que possam enriquecer a cadeia do turismo em Manaus não são benéficas apenas para a sociedade e turistas em si, mas ajuda os diversos atores envolvidos a enxergar novos horizontes. “Para o poder público é uma oportunidade de portas que se abrem, de experiências compartilhadas que ajudam na construção de políticas públicas cada vez mais eficazes”.

A presidente da Empresa Estadual de Turismo, Roselene Medeiros, acredita que o aplicativo é um instrumento importante para o acesso de pessoas com dificuldades de audição em áreas de turismo e lazer, destacando que o aplicativo, desenvolvido pela UEA, vai ser um marco nesse processo. “O turismo brasileiro está procurando cada vez mais dar condições de acessibilidade para pessoas com dificuldades visuais, auditivas e locomoção, para que possam realizar atividades turísticas e de lazer da melhor forma e com mais qualidade de vida”, enfatizou Medeiros.

Sobre o projeto

O projeto inédito contou com um piloto realizado com alunos surdos da Escola Estadual Augusto Carneiro dos Santos, nos meses de julho e agosto do ano de 2018, cujos resultados levaram a conquista do primeiro lugar na categoria academia do Prêmio Nacional de Turismo, organizado pelo Ministério do Turismo em dezembro de 2018. Idealizado pelo professor Manuel Cardoso, o ‘Giulia Mãos que Falam’ se caracteriza como um instrumento de tecnologia assistiva para a inclusão do surdo, por meio do uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

O projeto tem parceria direta de Adria de Jesus Brandão, Camila do Nascimento Alencar, Paulo Sérgio da Silva Farias, Fabricio Guimarães de Oliveira, Marcel Luis Silva Cunha e Ingra Guedes, da equipe de desenvolvimento da Map Innovation e da doutora Rita Mesquita e Alexandre Buzaglo, da coordenação de extensão do Bosque da Ciência do Inpa.

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2 Comentários

  1. Iolanda de Castro Utuari

    Parabéns pelo trabalho desenvolvido, que outros espaços também adotem a inclusão das pessoas com deficiência como uma bandeira de luta e conquistas. Interessante também contemplarem às pessoas surdocegas com o atendimento de guia – intérprete.

    Responder
    • Ricardo Shimosakai

      Ainda há poucas pessoas com fluência em Libras, e pouquíssimos guias de turismo intérpretes de Libras. Uma das várias ações que já pensei, é capacitar o intérprete de Libras para fazer o papel do guia de turismo, é a adaptação mais fácil.

      Responder

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