Salto adaptado de paraquedas em Boituva

por | 3 jun, 2019 | Esporte e Aventura adaptada | 0 Comentários

Praticamente todos os tipos de atividades de aventura são adaptadas para pessoas com deficiência. O salto de paraquedas é uma dessas atividades que chama mais atenção, pelo desafio envolvido.

Essa foi uma das primeiras aventuras que eu, Ricardo Shimosakai fiz depois de adquirir a deficiência e me tornar cadeirante. Um grupo de amigas me convidou, para ir até o Centro Nacional de Paraquedismo localizado em Boituva. Foi uma das aventuras mais emocionantes que eu já fiz, realmente inesquecível.

Considero que o perigo da atividade é mais uma lenda do que outra coisa. Tudo passa por inspeções de segurança rigorosas. Já aconteceram acidentes, mas isso é estatisticamente difícil, e a imprensa exagera no drama quando isso acontece. Eu costumo brincar, que andar de carro é muito mais perigoso, pois as regras de segurança são constantemente infringidas, e como consequência muitos acidentes acontecem, resultando em centenas feridos e mortos.

Também conhecido como queda livre, ele é feito em duplas, com um instrutor especialmente treinado para isso. Primeiro você precisa colocar um macacão próprio para o salto, onde terão locais que conectarão você ao instrutor através de mosquetões de segurança. Foi difícil vestir, mas com ajuda da equipe e das colegas deu tudo certo. Depois disso, um breve treinamento para saber como se portar na saída do avião, durante a queda e no pouso.

No meu caso, a escola de paraquedismo amarrou minhas pernas com uma corda, para que ela ficasse ligeiramente flexionada. Isso foi uma medida de precaução, pois quando o paraquedas se abre, é uma puxada muito forte, e com isso, como não tenho os músculos das pernas ativos, poderia causar alguma distensão.

Em seguida é encaminhado para um aeroplano monomotor, daqueles com hélice, adaptado para saltos de paraquedas. Dentro da aeronave não tem poltronas, é um espaço livre, tem uma porta grande com barras para se segurar antes da queda.

O avião decola e sobe até uma altura de 12 mil pés, aproximadamente 3,7 quilômetros. A porta é aberta, e essa é a parte em que seu coração que já estava acelerado, começa a disparar. Meu salto foi filmado, então havia mais um outro paraquedista para fazer o registro.

Eu junto com meu instrutor, e o cinegrafista, nos posicionamos na beirada da porta. A pessoa com a câmera salta primeiro, para registrar minha saída, e daí logo em seguida vamos nós. A partir daí o nervosismo passa e é só curtição. A distância pode parecer grande, mas a queda é muito rápida, aproximadamente 50 segundos, mas muito marcantes.

Você salta segurando parte das cintas, e quando já está em queda livre, o instrutor dá umas batidas no seu ombro, que é o sinal que já pode soltar os braços. Você vai caindo até uma altura de segurança, quando então o paraquedas é aberto. Ele dá um tranco forte, pois serve como se fosse um freio. Dai em diante a descida é mais suave até chegar ao chão. A suavidade do pouso depende da habilidade de cada instrutor, o meu foi super suave.

Se você percebeu, a adaptação material foi mínima, foi só a corda para amarrar as minhas pernas. A adaptação mais importante foi da equipe, em me ajudar a vestir o macacão, me colocar dentro da aeronave, na queda livre e depois na recepção em solo. Um exemplo de que tudo é possível, e não necessariamente a adaptação irá custar muito dinheiro ou será demorada. Com profissionais capacitados para orientar as adaptações, tudo pode ser mais simples do que parece.

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